10/03/2009


Revelações

"Dois seres, tempos antigos
Uma amizade, dois amigos
Dois destinos, um sentimento
Um mistério, um envolvimento".

"Um caminho, uma esperança
Uma caixa, uma revelação
Um símbolo, uma aliança
Uma luz, uma união".

[Ricardo Namur]

09/02/2009


Amigos
Tenho amigos que não sabem o
quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes
devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais
nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela
se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem
o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências ….
A alguns deles não procuro, basta-me
saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir
em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com
assiduidade, não posso lhes dizer o
quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica
e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta
que os adoro, embora não declare e
não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem
noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte
do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do
meu encanto pela vida.

Se um deles morrer,
eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de
lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer …
Se alguma coisa me consome
e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite
ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

(Vinícius de Moraes)

Soneto para alguém


A Gabi Faria


De repente uma frase apareceu:
Breves loas a um simples conto.
No meu canto ela pronto escreveu
E na mente o pranto fez-me tonto.


Escritora do vazio e da carência
Meu coração, porém, se enterneceu.
Senti logo certa transcendência
E uma luz no vazio acendeu.


Iluminando o papel de sua vida
Onde traços rabiscados a fluir
Desencanto e cansaço de uma lida.


Indicavam que o vazio é espaço
Para desenhos e novo colorir
E absorto, pergunto, o que faço?


(By Alex Guima)


(Obrigada querido amigo do Recanto das Letras pelo lindo poema a mim dedicado... Foi um dos presentes mais encantores que já recebi... Bjs! Gabi)

Canção Da América
Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

(Milton Nascimento)
(Aos meus amigos queridos que estarão para sempre guardados em meu coração... Gabi)

08/02/2009


Gabi,

Fico mt feliz em saber q tenho uma parte na sua caminhada, nem preciso dizer q todos os elogios q nos disse pode ser perfeitamente aplicado a vc tb, pois vc pertence ao nosso grupo, consequentemente, fazendo parte da nossa história como pessoas, assumindo igual importância em nossos corações e rumos de nossas vidas, além de ser tb uma pessoa especial em vários sentidos. Já diziam q aquele q gosta de animais geralmente possui um coração puro, e a cada dia mais eu concordo com a frase, pois aquele q consegue demonstrar amor pelos animais, facilmente fara o mesmo pelas pessoas. Sobre a saudade (q sinto mt tb), faz parte da vida, é comum Bi, o mundo gira rápido, mas não nos impede q pensemos nas pessoas q nos fazem bem, e eh isso acima de tudo q dah significado a amizade de nosso grupo, pois em vários momentos de fundo do poço, vcs foram para mim um gatilho para caminhar rumo a melhora. Espero revê-la logo no aniversário de Gui e deixo aqui minha prece para q aquele q governa o sol e as estrelas sempre lhe proteja e dê-lhe brilho, mesmo vc já possuindo bastante.

Um beijão,
Rapha


(Obrigada amigo pelo carinho das suas palavras q iluminaram a minha alma)

22/01/2009

Para Maggie(minha adorada cadelinha)

As ouço por perto
Patinhas com pisar de leve
Ai vem Maggie
Alegrar minha vida. É certo.

Junto a um arfar de felicidade
Ela vem ao meu encontro
Esse pequeno ser
De travessura e bondade

Olhos negros e cintilantes
Agora fazem aquele pedido
Com seu nariz gelado e úmido
Quer carinho por uns instantes

Momentos como esse
Nunca terão fim
Com seu carinho e fofura
Está eternizada em mim
Gabi Faria
À Vida
Não roubarás minha cor
Vermelha, de rio que estua.
Sou recusa: és caçador.
Persegues: eu sou a fuga.


Não dou minha alma cativa!
Colhido em pleno disparo,
Curva o pescoço o cavalo
Árabe -
E abre a veia da vida.

[Marina Tsvietáieva]
(1924)
SILENTIUM

Ainda não é nascida.
É só canção e poesia,
E está em plena harmonia
Com tudo o que é vida.


O seio da onda arfa em paz,
Mas como um louco brilha o dia
E a espuma pálido-lilás
Jaz no azul-névoa da bacia.


Que em meus lábios pairasse
A quietude original
Como uma nota de cristal
Pura desde que nasce!


Volve … poesia e a canção,
Sê só espuma, Afrodite,
Coração, desdenha o coração
Que com vida coabite!


[Ossip Mandelshta]

(1910)

AMAR: QUEIMAR AMARRAS
Na tempestade tátil da mão
ao vento susurros certeiros
cuspir com fogo de dragão
e sabor de nevoeiros...

(Por Fabio Rocha - www.fabiorocha.com.br - do livro NO FIM, COMEÇO)

28/12/2008


Soneto pela concentraçãoUma poesia! Uma poesia!
Meu reino por uma beleza...
Mamãe tanto me pedia
Para acabar com a tristeza

Toc, toc, toc. Sou eu, mente!
Vem concentração, por favor.
Tão intransigente...

Palavras boas acabaram
Por fugir de mim?
De minhas viagens partiram
Do início ao fim

Voltem aqui,
Meus pensamentos! Seus voláteis!
Não... Já os esqueci.

Gabi Faria

26/12/2008


Um soneto para o vazio
Uma mente sem inspiração
É carente de espaço
Bem usado no compasso
De vida de ilusão

Já escreveu bem
Vácuo da alma sumia
A razão vinha do além

Mãos cheias de dificuldade
Amaldiçoam papel e caneta
Agora tão sem utilidade

Olhos rabiscados
Uns traços sem sentido
Incolores, desencantados
O encanto havia sumido

O vazio a tinha possuído...


Gabi Faria

23/12/2008


CARTA AO VIZINHO CHINÊS


Deve ser gêmea, senão a mesma,
é a de ontem, é igual e se disfarça
numa metade escurecida
a lua
que neste momento ronda
como eterna sentinela
a trazer fosca iluminação
sobre a caixa de fósforos,
sobre os palitos
que conhecerão em chamas - um sol.

(Existe o inverso sentido,
o sol iluminando a lua,
e a lua iluminando os pedaços de sol
guardados nos fósforos).

Deve ser sem dúvida a mesma,
a lua que amanhã olhará
um desconhecido
que neste momento mora na China
e faz uma vigília qualquer
sobre o arroz.
(Temos a mesma lua,
somos cúmplices destas iluminações).

Já chega a ser mais do que gêmea,
é exatamente a mesma,
quero simplificar
a lua que volta
amadurecida,
e não estou mais só apenas
olhando a lua,
e seria como se ela me olhasse
e de outras existências
ela, a lua, me permitisse conhecimentos.

Assim sendo
ó desconhecido chinês
não sei o teu exato tráfego
entre esta lua,
e há uma grave denúncia,
uma sonora, uma metamorfoseada denúncia
quando a lua
vem nos dizer que apenas passa
sempre por uma frágil rua
que chamam mundo,
uma única rua descalça
que é a mesma
que existe na Grande Muralha,
que é a mesma
por onde o carteiro
chega a minha porta.
A lua nos faz um só acontecimento.

Assim sendo,
ó já visto chinês,
peço que também
coloques a tua mão sobre a nossa lua.

Tenho olhado esta lua,
venho pensando nos grãos de arroz,
e no instante em que morreu
a tua última imperatriz
de pequenos pés.

Tenho pensado numa embarcação
cheia de muitos,
muitos
antepassados olhando a lua enquanto era uma noite
uma espessa noite,
até que todos eles reunidos
pudessem vir me trazer apenas dois olhos
para olhar esta lua.

Tenho visto tuas porcelanas,
tenho visto algo do azul
desbotando
e sendo devorado por dragões.

Sei,
deves gostar de pingue-pongue
e o mar, o mar
é uma grande mesa quando sobre as águas
passa a lua, - uma bolinha
sobre as águas
e que vai
e volta,
e que vai
e volta.
Estamos assim dentro de um jogo.

Por fim já vizinho,
conhecidíssimo
e amigo chinês -
o jogo é muito antigo.

Olhes a tua lua,
olhes a minha lua,
jogues para cá,
jogarei daqui a tua lua.

Fico aqui pensando em milenares dragões
que querem devorar
o mar,
o arroz,
e a nossa única lua.

[Luís Sérgio dos Santos]