31/08/2009


Diversos Mundos
Somos pretenciosos...
Queremos o oceano, o sol, as estrelas, a lua,
queremos a terra e a rua.
Somos audaciosos...
Queremos sorrir, mentir, chorar, amar,
queremos sofrer, fingir, morrer, se dar.
Somos cruéis...
Queremos o chão, a solidão, a ilusão,
queremos o medo, o desespero, o não.
Somos diversos mundos, lotados de ansiedades,
fartos de desamor, esgotados de desilusões,
querendo tudo.

(By Santiago)

30/08/2009

A louca desconfiança!


A desconfiança vive em mim, e hospeda-se na minha mente.
É causadora de ilusões e ciúme, é sugadora de emoções e bem-estar.
Provoca indecisões, gera conflitos, origina a dúvida,
e faz-me desconfiar de tudo e todos, menos de mim mesmo.

Desconfio de um riso escondido, de um segredo contado.
Desconfio de um trocar de olhares, de um beijo corrido.
Desconfio da verdade, desconfio do próprio silêncio.
E até desconfio do tempo, da chuva, do sol e da luz.

E a minha desconfiança é de tal forma louca e exagerada,
e está de tal forma à flor da pele, que me irrita profundamente
e me dá vontade de puxar e arrancar os cabelos de frustração.
“Irra, que já enerva! Vai-te embora, ó desconfiança!”

Se a minha desconfiança tivesse cabeça diria que tinha parafusos a menos.
É que vai e vem. Por vezes vai tão alto, tão alto, que sufoca
no centro do universo, sem ar nos pulmões,
desvanecendo, como se nunca tivesse existido sequer.

E eu volto a confiar novamente, aproveitando este momento de liberdade,
em que a minha mente vagueia novamente independente,
e já não hospedeira da minha própria revolta, da minha desconfiança.

(By pedrobito)

25/08/2009




TEU GRITO SE CONFUNDE AO LAMENTO DE UM LOBO

TEU GRITO
SE CONFUNDE
A UM LOBO E SEU LAMENTO
A DIVA NOITE
TUDO ENCOBRE
EM BAIXO DO SEU NEGRO MANTO

NA ESCURIDÃO DA NOITE
SEUS DEMONIOS SE ESCONDEM
E LHE CONTAM SEGREDOS PROFANOS
E NESSES DEVANEIOS PROIBIDOS
ESQUECEU-SE DA FELICIDADE
OS TEUS POROS SANGRAM
COISAS DE UM PASSADO OBSCURO
E SUA ALMA PURA
SE PERDE EM LABIRINTOS

QUEM DERA SUAS NOITES FOSSEM BRANCAS
ALVAS COMO O LUAR
E SUA VIDA ESTIVESSE A MERCE DA COR
QUEM DERA FOSSE PRISIONEIRO DO AMOR


PEDISTE O BEIJO DA MORTE
ELA NÃO QUIZ...
MAS NÃO SE ILUDA
ELA ESTA A ESPREITAR
NA PRÓXIMA CURVA
EM CADA ESQUINA
TE ESPERA
NÃO DE MAIS A ELA
CHANCE OPORTUNA

VEJO TEU CORAÇÃO MERGULHADO EM SOMBRAS
TUA ALMA EM INVERNO PERPÉTUO
ENTREGA TUA DOR
ENQUANTO É TEMPO
AO UNIVERSO

AFASTA O CÁLICE AMARGO
DE TUAS ENTRANHAS
LIBERTE SEU CORPO
E VOE AO INFINITO
BANHE-SE DE PARTÍCULAS TENUAS
DE PAZ REGOZIJANTE
E SINTA O ANTÍDOTO AGIR
NA SUA MENTE

NÃO DEIXE QUE SE APAGUEM SUAS ESTRELAS
NÃO ESQUEÇAS DO GOSTO DE MIM
POIS NA IMENSIDÃO DE SUA GALAXIA
EU FUI UMA SIMPLES FLOR DO CAMPO
DESPETALADA PELA TEMPESTADE
CONTAMINADA PELA MALDADE
CONSUMIDA PELA INSANIDADE...

(BY MARY K)

23/08/2009


São cinco pontas
Cinco destinos
areias tontas
de desatinos

Cinco sentidos
Cinco caminhos

Grãos tão moídos
Mares moinhos

Estrela guia
em pleno mar

outra Maria
a me chamar. "


(By Ana Maria Machado)

22/08/2009


Horizonte
Se eu apagasse a fina linha
do horizonte
será que o céu cairia
no mar?
E as estrelas e a lua
começariam a navegar?

Ou será que o mar viraria
céu
e os peixes aprenderiam
a voar?

(Roseana Murray in Fardo de carinho)

20/08/2009


Uma xícara de chá
Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse: "Está muito cheio. Não cabe mais chá!".
- "Como esta xícara" - Nan-in disse - "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?".

Na sua estante (Pitty)

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar,
Te vejo sonhando e isso dá medo,
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
'Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver, só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar

17/08/2009


Angels(Robbie Willians)

I sit and wait
Does an angel contemplate my fate
And do they know
The places where we go
When we're grey and old
'cause I've been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel that love is dead
I'm loving angels instead

Chorus:
And through it all she offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead

When I'm feeling weak
And my pain walks down a one way street
I look above
And I know I'll always be blessed with love
And as the feeling grows
She breathes flesh to my bones
And when love is dead
I'm loving angels instead

16/08/2009


Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
(Mário Quintana)

14/08/2009


O livro e a América

Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia...
E manda o povo pensar...
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.
(Castro Alves)


A Invenção do “O”

Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o “O”
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou “horizontes”
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).

(By Luís Fernando Veríssimo)

10/08/2009

Poema
(de Mario Quintana)


O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com as suas frágeis britadeiras de vidro
perfura

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto busca só existe
em tua limpida loucura

- que importa? -

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!